O ladrilho hidráulico teve origem nos antigos mozaicos bizantinos. Posteriormente, os muçulmanos aproveitaram estes conhecimentos para criar ladrilhos para suas obras de arquitetura.
Os ladrilhos foram largamente aplicados na Europa como revestimento de paredes, sendo seu uso ampliado para pisos.
No Brasil, inicialmente, as peças foram todas importadas de Portugal, França e Bélgica. Sómente no final do século XIX, um cônsul suiço ensinou os segredos da técnica de manufatura dos ladrilhos hidráulicos aos italianos residentes em São Paulo, surgindo as primeiras fábricas, sendo destinados apenas para revestimento de paredes e numa segunda etapa para pisos. A base para sua fabricação eram os lajotões de barro, sendo pintados à mão.
Sua fabricaçào continua obedecendo os métodos de 100 anos atrás, onde são colocados em uma forma de ferro, com moldes dos desenhos desenvolvidos em latão. Nestes moldes são colocadas uma mistura composta por pó de mármore, cimento branco e óxido de ferro. O óxido de ferro é que determina as cores das peças. Nesta fase o conhecimento do artesão é fundamental pois a pressão sobre o molde é feita manualmente, determinando sua perfeição e igualdade. Após esta fase, o molde é retirado, ficando, as peças, em repouso por 12:00 horas e enviadas para secagem natural, sem uso de fornos ou estufas por um período de 15 dias.
Este revestimento recebeu o nome de ladrilho hidráulico pelo fato de ser apenas molhado, sem processos de queima. Sendo um produto artesanal, sua produção diária é relativamente pequena.

UMA ARTE QUE ATRAVESSA OS SÉCULOS DE NORTE A SUL DO PAÍS.

Nos arredores de Recife, numa oficina de chão batido, misturam-se tintas, areia, cimento, moldes, forma de ferro e tachos. Desta oficina saem 75 tipos de mosaicos que vão enfeitar paredes e pisos de residências.
José Francisco Barbosa, seu Tota, faz cada peça manualmente, preenchendo com massa colorida os moldes de tamanhos variados, conforme uma técnica aprendida aos 13 anos de idade. Sua produção é pequena e depende do desenho "Para fazer 2 m2 dos mais díficeis levo 1 dia". Do outro lado do país, a Fábrica de Mosaicos Pelotas, é a única na região que restou da época áurea dos ladrilhos hidráulicos. No final do século XVIII, com a expansão da indústria de charque, a cidade gaúcha prosperou, atraindo artistas e arquitetos europeus que cuidaram do planejamento urbano e da arquitetura local. As calçadas e os interiores das casas, quase totalmente revestidos de mosaicos, viraram uma obra de rara beleza. Por volta de 1910, 16 empresas disputavam a clientela local. Hoje a Fábrica de Mosaico Pelotas, possuí 300 modelos que vão do estilo art noveau aos geométricos.
Assim, como seu Tota no Nordeste e a Fábrica de Pelotas, no Sul, muitos outros artesãos de vários cantos do país tem se dedicado a essa "obra paciente", dignas das musas - sentido da palavra grega mosaicon - e nos brindado com sua arte laboriosa.